Mulheres Vikings e Shield-maidens



É possível pensar em Vikings e não pensar em guerreiros? Imaginamos algo mais do que homens loiros com machados e espadas, que deixam um rasto de destruição no seu encalço? O que pensar duma cultura cuja ideia de paraíso é ser ressuscitado para se juntar ao exército do seu deus para lutar outra vez no fim dos tempos? Os Vikings eram definitivamente um povo guerreiro, mas onde é que isto deixa as mulheres? Inseridas numa sociedade que enaltece as proezas em combate e vitórias, as mulheres Viking seriam mesmo donas de casa mansas que se limitavam a cozinhar e tomar conta das crianças?

Enquanto alguns estudiosos discordam e defendem que a sociedade Viking era, como a maioria das suas contemporâneas, marcada pela desigualdade entre géneros e que o único papel das mulheres era serem submissas aos homens, a larga maioria parece acreditar que este não seria o caso. As sagas Vikings contêm numerosos relatos de shield-maidens ou skjaldmö, as mulheres guerreiras que lutavam ao lado dos homens e partiam a bordo dos seus barcos.



Mulheres nas estórias Vikings.

As sagas Viking são estórias em prosa com origem na Islândia e Escandinávia, semelhantes a epopeias, que falam das conquistas, viagens, feudos entre famílias e guerras dos povos nórdicos. Várias sagas falam de mulheres guerreiras, a sua coragem em combate e importância na expansão e colonização Viking. The Greenland Saga descreve Freydís Eiríksdóttir, filha de Eric o Vermelho, como uma mulher destemida que se juntou a uma expedição à Vinlândia. Quando a expedição foi atacada por nativos, embora grávida de oito meses, Freydís empunhou uma espada e afugentou os atacantes. Em Gesta Danorum, Hlathgerth (Lagertha) luta ao lado de Ragnar Lodbrok e impressiona-o de tal forma com a sua coragem que este pede a sua mão em casamento. Na mitologia Viking, as Valquírias são entidades femininas protegidas por Odin que escolhem os guerreiros mais corajosos entre os mortos em batalha e os levam para Valhalla para se prepararem para o Ragnarok, onde lutarão ao lado do deus. Considerando a forma como estas mulheres são descritas, fica claro que os Vikings não eram estranhos à ideia de perícia em combate e coragem feminina, e que valorizavam estas características



Túmulos Vikings e o que eles nos dizem.


Os rituais fúnebres nórdicos eram mais do que enterrar um ente querido. Os Vikings acreditavam que poderiam levar os seus pertences terrenos na morte e que estes mostrariam o seu valor aos deuses, permitindo-lhe manter o estatuto social. Se um guerreiro morresse, seria enterrado com a sua armadura, armas e cavalos, como prova dos seus feitos em combate e estes permitiriam a sua entrada em Valhalla. Chama-se a isto o espólio sepulcral e também serviria para manter a alma em paz, ou esta regressaria em forma de draugr para assombrar os vivos.

Em vários túmulos Vikings encontram-se mulheres sepultadas com riquezas e símbolos de alta posição social. No túmulo Oseberg, dois corpos de mulheres foram enterrados dentro de um barco de 21.58m, juntamente com artigos decorativos, arcas de madeira e têxteis ricos, incluindo os vestidos de ambas as mulheres. No túmulo também foram encontrados artigos domésticos, colunas de cama decoradas, um carro de madeira completo e as ossadas de 14 cavalos, um boi e três cães. Durante anos assumiu-se que ser enterrado com um barco era uma honra reservada a homens, mas considerando este túmulo, podemos dizer que estas mulheres ocupavam uma posição importante na sociedade Viking. Em outros túmulos, várias mulheres foram sepultadas com chaves, que representavam controlo sobre a casa e a família, incluindo a distribuição de comida e roupa e a gestão das terras, produções agrícolas e negócios relacionados. Alguns historiadores defendem que as chaves poderiam também ser um símbolo de posse de terras.

O túmulo de Birka é provavelmente o mais controverso entre os encontrados. Foi escavado pela primeira vez em 1889 e assumiu-se que seria de um guerreiro que foi enterrado com uma espada, um machado, uma lança, setas capazes de furar armadura, uma faca de guerra, dois escudos e dois cavalos. Mais tarde, surgiram dúvidas relacionadas com a rapidez em assumir o sexo do guerreiro e em 2014, análises osteológicas da pélvis e mandíbula realizadas na Universidade de Estocolmo mostraram que se tratava de uma mulher. Alguns cépticos não se mostraram convencidos e argumentaram que as ossadas poderiam ter sido misturadas com as de campas vizinhas, mas testes de ADN realizados em 2017 mostraram que todos os ossos pertenciam ao mesmo corpo de uma mulher. Perante estes resultados, acredita-se actualmente que esta mulher seria uma guerreira respeitada que foi sepultada com todas as honras.



Relatos históricos também provam que os Nórdicos tinham mulheres guerreiras. Depois do Cerco de Dorostolon, os Bizantinos surpreenderam-se com a quantidade de mulheres entre os corpos dos Varangianos caídos. Embora não haja uma unanimidade entre os historiadores, a maioria parece concordar que as mulheres Vikings possuíam um grau de liberdade raro para a altura. Tinham vários direitos como: recusar casamentos, divórcio, gerir as terras agrícolas, ter negócios e receber heranças. Tendo em conta tudo isto, é provável que as shield-maidens não tenham sido criaturas míticas, mas uma parte da cultura e história Viking, e respeitadas dentro das suas comunidades.

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